24.3.17

CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE XXVII


Lembram-se da crónica feminina? Pois é, procurei uma noiva de 1979, e olhem o que encontrei.




EPÍLOGO

Três anos depois o casal está estabelecido em Aveiro. Quim tinha ajudado os pais, e sogros, na recuperação das velhas casas de família, para lhes dar uma vida de maior conforto, mas a aldeia era demasiado pequena para os seus sonhos. Ele queria montar um bom restaurante, numa cidade,  mas ao mesmo tempo, queria uma zona relativamente perto da aldeia, de modo a que os pais e sogros, pudessem ter uma certa relação de proximidade com os netos.
Dentro desses parâmetros surgiram dois nomes. Aveiro e Viseu. Estudadas as características das duas cidades, o casal optou por Aveiro, pois tinha, segundo a sua lógica, mais condições para atrair o turismo, pela beleza dos seus canais. E passados três anos, o Restaurante Tipico da Beira, é um grande sucesso. 
Catarina tem sete anos e já está na escola, Maria tem dois anos e é o encanto da irmã, pais e avós.
Mas naquele dia o casal está na aldeia. E é Setembro de novo.
Sofia, está em casa da mãe, no seu antigo quarto de solteira, às voltas com um vestido de noiva. As crianças, lindas nos seus elegantes vestidos de damas, entram e saem sem se calarem, excitadas pela novidade, e seguidas pela velha Idalina, que zela para que não mexam em nada que as possa sujar.  Sofia acaba de se vestir de noiva, como há dez anos atrás. E como nessa altura a mãe ajuda-a a prender a tiara e o véu. Mas desta vez a mãe está radiante. Não só porque a sua menina vai receber o sacramento do casamento, (e para as suas convicções religiosas, deixará de viver em pecado,) como porque agora ela sabe que não tem com que se preocupar. A filha é uma mulher feliz. E se alguma dúvida pudesse ter, bastava ver os dois juntos. Como se olham, como estão pendentes um do outro, como se entendem com um único olhar. A ideia do casamento religioso, foi de Quim. Ele queria vê-la vestida de noiva, queria viver a emoção de a esperar junto ao altar.
Ela aceitara. E no fundo, também está muito feliz, apesar de pensar que a cerimonia, não vai aumentar nem diminuir o amor que os une. Mas também ela sente a emoção de se vestir de noiva para ele.
O desejo de se ver refletida nos seus olhos na hora do juramento sagrado. De sentir o calor da sua mão, na troca das alianças. Pequenas coisas que fazem a felicidade de uma mulher, e que ela ainda não vivera.
E depois, ele não lhe tinha dito uma vez que o juramento perante Deus era para aqueles que se amavam muito?

Fim


Elvira Carvalho

22.3.17

CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE XXVI






Dias depois, Quim foi convocado pelo advogado dos tios para a leitura do testamento. Os tios tinham-lhe deixado tudo. A casa, o restaurante e um bom dinheiro. Exceptuando uma pequena quantia que destinaram à empregada, e uma cláusula em que determinava que ela deveria continuar como empregada da casa.
O casal, mudou-se então para a casa, por cima do restaurante. Quim continuou a ser o cozinheiro, Sofia, tratava de todos os assuntos relativos à gerência. O negócio ia bem, a conta bancária aumentava. Três anos depois, nasceu a  pequena Catarina. E quando esta estava prestes a completar um ano, aconteceu em Portugal, a tantas vezes sonhada revolução, que depôs o regime fascista e colonialista. Era Abril, os cravos floriram e com eles a libertação de um povo, martirizado pela fome e pela guerra.  As imagens correram mundo, e eles viram-nas pela televisão e renovaram as esperanças de poderem voltar a Portugal.
Se a guerra colonial acabasse, Quim podia voltar.  Era o sonho comum do casal. Voltar à terra que os vira nascer, rever parentes e amigos. E então aconteceu. A independência das colonias tornou-se irreversível, mas a paz tão sonhada não. Angola e Moçambique, estavam em guerra, e os portugueses lá residentes fugiram para Portugal. Mais de meio milhão de portugueses, muitos deles nascidos naquelas possessões africanas,chegaram a Portugal, sem emprego, sem dinheiro, sem outros bens, que não a própria vida. Enquanto o governo procurava dar resposta, aquela avalanche de gente, a precisar de pão, roupas, casa, enfim do básico para sobreviver, alguns acolhiam-se ao abrigo de familiares, ou com algum sacrifício, emigravam para outros países, certos que estavam de não terem futuro em Portugal.  
O casal, que na altura planeava vender a casa e o restaurante, e regressar à terra que os vira nascer, e onde tinham os seus familiares, no intuito de se estabelecerem na terra-mãe, receou que a conjuntura do país naquele momento difícil, não lhes fosse favorável, e adiou a decisão.
Porém pouco tempo depois, Sofia voltou a ficar grávida, e então o casal não teve outra opção. Se queriam realizar o sonho do regresso, era aquela a ocasião. Eles não queriam que o nascimento do novo bebé ocorresse em França.  Acreditavam que os filhos, iam crescer e sentir que a França era a sua terra, o seu país. Mais velhos, não quereriam ir viver para uma terra que embora fosse a dos seus pais, eles não conheciam, nem sentiam ser a sua. E os pais, fatalmente iriam ficar onde os filhos estivessem. Por isso era urgente o regresso. Venderam tudo, transferiram para Portugal o seu dinheiro e os três acompanhados de Idalina, a empregada, chegaram à aldeia no mês de Agosto do ano da graça de mil novecentos e setenta e seis.

Este é o post do dia 23. Peço que me desculpem a ausência, neste dia, vou estar fora. 
Se não chegar muito cansada, passo pelos vossos cantinhos à noite. 


CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE XXV



Surpreendido Quim franziu o sobrolho. Porque chorava? Puxou uma cadeira e sentou-se a seu lado.
-Que se passa Sofia? O que foi que eu disse, para ficares assim? Será que te arrependeste?
Arrependida? Ela? Não, de modo algum. Olhou-o por entre as lágrimas.
-Não é o que disseste. É o que vais dizer…
- O que eu vou dizer? - Franziu o sobrolho, enquanto pensava que as mulheres, eram bem mais complicadas, do que aquilo que ele gostaria que fossem. Especialmente aquela, que era sua mulher. – Não entendo.
-Disseste que temos que falar do que aconteceu. Calculo que me vais dizer que não devia ter acontecido, que estavas cansado, que não desejavas...
Ele estendeu a mão e pegando-lhe no queixo, obrigou-a a olhar para ele.
- Calculas mal, Sofia. Se eu sonhasse que não seria rejeitado, já teria acontecido à muito.
Tocaram sinos no coração de Sofia? Ela seria capaz de jurar, que ouvia os carrilhões de Mafra, em dias de festa.
- Queres dizer que …
- Que aprendi a amar-te, querida! Foste como um delicioso vinho, cujo aroma se foi infiltrando em mim, até me deixares completamente embriagado - disse acariciando-lhe a face com ternura.
-Ó meu Deus! E porque não disseste nada?
- Porque tu disseste que querias ser livre.  Lembras-te? Disseste-me que aceitaste o casamento, porque era o teu voo para a liberdade. 
- Sim, mas referia-me ao ambiente em que vivia, à vida que tinha levado até aí. Apaixonei-me por ti, quase no primeiro dia. Mas tu disseste que amavas outra pessoa. Pediste-me paciência para te livrares dos teus fantasmas. E nunca mais disseste nada. Ainda ontem, fui eu quem tomou a iniciativa. Como ia adivinhar que me querias? Agora mesmo, imaginei que me ias dizer, que uma vez que os teus tios tinham morrido, não havia razão para manter este casamento. Pensei que ias pedir o divórcio, que ia perder-te.
- E por isso choravas? Mas se eu não tenho feito outra coisa, que demonstrar-te o meu amor. Acaso pensas que me preocuparia em passar contigo todos os momentos livres, se não te amasse? Não percebias, que estava sempre pendente de ti, tentando adivinhar o que te fazia feliz? 
Nem te passa pela cabeça, as noites que não dormi, pensando que estavas ali no quarto ao lado, e ao mesmo tempo tão longe.  Agora mesmo, com esse choro, pensei que me ias dizer que não me amavas, que o que aconteceu, não se podia repetir. Parece-me Sofia, que temos sido um par de tontos. E que já desperdiçamos tempo demais das nossas vidas, quando  há maneiras  bem mais interessantes em que gastá-lo.
E dizendo isto atraiu-a para si e curvando-se aprisionou-lhe a boca num beijo demorado.
- Não sei qual é a tua ideia, mas seja qual for, estou de acordo, - disse ela sorrindo feliz.
Sem responder, Quim pegou-lhe ao colo, e levou-a para a cama.




Ufa! Esta acabou! 
Será? Pensam que sim? Eu aposto que não...




21.3.17

21 DE MARÇO - DIA MUNDIAL DA POESIA.... E MUITO MAIS

Comemora-se hoje mais um dia de... E este é pequeno para tudo o que nele se comemora. Senão vejamos. É dia Mundial de poesia. Dia Mundial da Árvore, e da Floresta,  Dia Mundial do Síndrome de Down. Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial. 



Dia Mundial da Poesia

DESILUSÃO 

Quando eu tinha vinte anos
Sonhava construir,
Um mundo melhor
com as minhas próprias mãos.

Queria acabar com a miséria
abraçar a Felicidade.
Acabar com a guerra
e abraçar a Paz.
Estrangular a hipocrisia
e abraçar a Verdade.
Derrotar a opressão
Abraçar a Liberdade.
Sepultar o ódio
Abraçar o Amor.

Quando eu tinha vinte anos
O mundo era terra fértil
Onde plantava
Os sonhos dum mundo
Paradisíaco.


Agora que tenho setenta
tenho as mãos estragadas
de tanta luta inglória.
Tenho os ombros curvados
do peso das desilusões.
Os olhos sem brilho
de tanta lágrima derramada.
E o futuro cheio de pesadelos

E... interrogações


E o mundo?
Esse continua a girar
Na roda

Da fome
Guerras
Drogas,

Corrupção
Hipocrisia.



E já não há sonhos que me valham!


elvira carvalho




Dia Mundial da Árvore e da Floresta


 Toda a gente reconhece o papel das florestas para a sustentabilidade do planeta. Mas todos os anos são imoladas pelo fogo milhões de árvores em todo o mundo, vítimas da ganância, da incúria e da estupidez daquele que se diz, ser o único animal racional à face da terra


Dia Mundial do Síndrome de Down.


                                    Foto da Wikipédia

No mundo atual, não se justifica a discriminação a que as pessoas portadores do síndrome Down ainda estão sujeitas. São pessoas como nós. Com algumas diferenças, algumas limitações, mas não as temos todos nós também? Eu tenho e várias. Quem nos dá o direito de nos julgarmos superior aos outros?




Dia Internacional da Eliminação da Discriminação Racial


No dia 21 de março de 1960, na cidade de Joanesburgo, capital da África do Sul, 20 mil negros protestavam contra a lei do passe, que os obrigava a usar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles podiam circular.
No bairro de Shaperville, os manifestantes depararam-se com tropas do exército. Mesmo sendo uma manifestação pacífica, o exército atirou sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186. Esta ação ficou conhecida como o Massacre de Shaperville. Em memória da tragédia, a ONU – Organização das Nações Unidas – instituiu 21 de março como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. 

fonte A



20.3.17

CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE XXIV


Nos primeiros dias de Janeiro, a tia Délia sofreu um  ataque cardíaco, que foi a machadada final na sua frágil saúde. Faleceu no mesmo dia.
Sofia, desdobrou-se no apoio ao marido e ao tio, que estava inconsolável. O restaurante foi fechado durante uns dias, e quando reabriu, Sofia que continuava desempregada começou por dar uma ajuda, já que o tio não saía de casa e definhava dia a dia, mas acabou por assumir toda a parte de gerência do mesmo. Um mês depois, o tio não suportando mais a ausência da mulher que amara, partiu também. Foi mais um rude golpe para Quim. E mais uma vez a mulher esteve a seu lado como um pilar de apoio.
Foi nessa altura, depois do funeral do tio, depois da demonstração de um momento de fraqueza e vulnerabilidade de Quim, que eles se tornaram verdadeiramente um casal. Foi amor? Ela não sabia. Da parte dela, sim, conhecia os seus sentimentos, há muito tempo estava apaixonada pelo marido. Da parte dele, não sabia. Talvez não passasse da necessidade de mitigar a dor da perda daqueles que amara como pais. Talvez fosse um desejo instintivo, próprio de homem, por uma mulher jovem e bonita, que afinal até era sua esposa.
Ela não sabia. E para ser verdadeira consigo mesmo, nem lhe importava. Tinha vinte anos, viviam na mesma casa há mais de quatro meses. Certo que ele lhe tinha confessado amar outra mulher. Que lhe tinha pedido paciência. Mas ela reconhecia que não era muito paciente. Talvez mais tarde se arrependesse, mas naquele momento entregava-se de corpo e alma compensando com amor, a inexperiência que recorria do facto de ser virgem.
Na manhã seguinte, quando acordou, Quim já se tinha levantado. Sentiu-se um pouco desiludida. Tinha sido a primeira noite que dormira com o marido, teria gostado de acordar com ele a seu lado. Encontrou-o na cozinha, e saudou-o envergonhada pela recordação da noite anterior.
-Bom dia.
- Bom dia, Sofia. Preparei-te o pequeno-almoço,-  disse colocando-lhe a bandeja na mesa. E acrescentou: - Precisamos conversar sobre o que aconteceu ontem à noite.
Estava muito sério. Ela sentiu-se gelar. Primeiro acordava sozinha. Depois aquele ar sério do marido. Pensou que ele estava arrependido. Sentiu que alguma coisa se rompia dentro dela. Ia rejeitá-la.
Afinal, casara com ela por causa dos tios, e agora que eles tinham morrido, não havia necessidade de continuar aquela farsa. Pedia o divórcio, e podia enfim, voltar para a sua "boneca". E ela feita estúpida, entregara-se de corpo e alma, sonhando com o seu amor. 
Incapaz de conter a dor que sentia, abriu as comportas do rio interior em que a sua alma naufragava e começou a chorar.




E como hoje se festeja o dia internacional da Felicidade, desejo-vos que a primavera que chegou esta manhã, (para os amigos de além-mar, quem chegou foi o outono). Que ambos venham prenhes de PAZ e FELICIDADE para todos nós.

CASAMENTO POR PROCURAÇÃO - PARTE XXIII




E chegou a véspera de Natal. Estavam na casa dos tios de Quim. Sofia e a tia Délia estavam na sala, os homens na cozinha preparando as iguarias para a ceia. A empregada, punha a mesa. Desde que adoecera, Sofia não voltara aquela casa, e preocupou-se com o ar da tia Délia. Estava cada vez mais débil. Mas continuava conversadora e simpática.
- Pareces muito bem, para quem esteve tão doente. É uma vantagem da juventude. A recuperação é sempre fácil e total. E como vai o teu casamento? O Quim tem-se portado bem contigo?
Sem saber bem o que a velha senhora queria dizer, e não querendo falar da sua vida intima, apressou-se a responder.
- Ó sim. Vai tudo muito bem.
- Folgo em saber isso, minha filha. Confesso que já senti remorsos da forma como o obrigamos a casar. Mas ele andava todo enrabichado com aquela serigaita da Joana e se não tomássemos uma atitude acabava por fazer uma asneira que lhe ia dar cabo da vida.
Era a primeira vez que a senhora falava do assunto. Fez de conta que não sabia de nada. A senhora continuou:
- Sabes que já depois de casado ela ainda o andava a rondar? Apareceu algumas vezes no restaurante. E pedia sempre para cumprimentar o chefe. Para o obrigar a ir à mesa. Na última vez ficou frustrada quando o meu marido se apresentou na sua frente. E não voltou a aparecer.
Aquilo, Sofia não sabia. Porque é que ele não lhe dissera? Não se proclamara um homem sincero? Não lhe pedira paciência para se livrar dos fantasmas?
- Ai filha que já falei demais! Desculpa, não queria preocupar-te. O Quim é um homem responsável. Tem sólidos princípios. Nunca te trairá. Mas aquela mulher é um demónio com cara de anjo. Que o diga o seu ex-marido a quem ela arruinou.
Ela acreditava nos princípios do marido. E na sua sinceridade.
Tinha provas disso. Também do seu sentido de responsabilidade.
Só que isso não lhe bastava. Ela desejava dele o que uma mulher apaixonada deseja do homem que ama.
- Não se preocupe tia. O Quim tem sido um excelente marido, - afirmou desejando tranquilizar a velha senhora.
Nesse momento os homens entraram na sala.
- Vamos jantar? Está tudo pronto.
Quim ajudou a tia a levantar-se e deu-lhe o braço para a ajudar a chegar à sala. Ela e o tio seguiram-nos. Junto à mesa, Idalina a empregada aguardava-os. A mesa estava posta para cinco pessoas.
-Hoje a Idalina janta connosco. Desde que ficou viúva, vive connosco, já é quase da família, - explicou o tio.


Amanhã, não haverá esta estória. Festeja-se o dia mundial da poesia e o que mais se verá.
Assim sendo o capítulo de amanhã sairá hoje às 19 horas.
E como a Primavera chega hoje, que ela seja de paz, amena e perfumada para todos nós.

19.3.17

19 DE MARÇO - DIA DO PAI

Para todos os homens que sabem o que é ser pai, e cumprem a sagrada missão de o serem, tantas vezes com sacrifício, mas com todo o amor que são capazes de albergar no seu coração,  Feliz dia do Pai






PAI

Para ti,
que foste a semente da vida
Em mim.
Que me acolheste com Amor 
Em teus braços
Tantas vezes cansados
Mas sempre presentes
E me acompanhaste
Mais de metade da minha vida.
Que me ensinaste
 A caminhar
A ler
A escrever
Que me mostraste
Com teu exemplo
Como ser uma pessoa de bem.
Para ti
Meu pai, meu amigo,
Meu mentor.
Um enorme obrigado.
E se lá na dimensão
Onde te encontras
Te é dado ver o nosso plano
Aceita pai a minha gratidão
O meu amor, a minha saudade.



elvira  carvalho