12.12.17

ENTÃO E EU?





Mulheres atarefadas

Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas.
— Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
– Está bem, eu sei!
– E as garrafas de vinho?
– Já vão a caminho!
– Oh mãe, estou pr’a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
– Não sei, não sei…
Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
– Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
– Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
– Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
– Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?

Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
– Foi este o Natal de Jesus?!!!


João Coelho dos Santos in Lágrima do Mar – 1996

11.12.17

O NATAL DAQUELE ANO



O Francisco frequentava o terceiro ano de escolaridade

 com muito bom aproveitamento. Era um miúdo admirável!

Já vivera razoavelmente mas, atualmente, sofria as 

consequências da quase indigência do pai por, no início 

daquele ano, ter perdido o emprego. Era um bom  

trabalhador, mas a oficina fechara.

Andava o miudinho muito triste e amargurado porque a 

fome, o frio e a tristeza eram o pão-nosso de cada dia 

naquela casa.Como habitualmente, ao aproximarem-se as

férias do Natal, a professora mandou que os alunos fizessem

uma redação sobre essa quadra festiva.

O Francisco debruça-se sobre o papel e, numa letra mais 

adulta que infantil, intitula a sua composição de APELO e 

escreve:

«Menino Jesus: não acredito no que tenho ouvido dizer a 

teu respeito, ou seja, que só dás a quem já tem, e nada dás

 a quem nada tem! Explico-te porquê: eu sei que são os pais

 a darem essas prendas e não tu, que tens mais que 

fazer; se fosses tu, de certeza que davas a todos e, se 

calhar, em primeiro lugar aos mais pobres.

Sim, eu tenho certeza que davas a todos e, se calhar, em 

primeiro lugar aos mais pobres. Sim, eu tenho a certeza que

 seria assim, pois nunca te esqueces que também nasceste 

pobre e pobre morreste.

Não venho pedir nada para mim. Quero lembrar-me que 

o meu pai está há um ano sem trabalho e precisa de 

ganhar dinheiro para nos sustentar. Por isso, não te 

esqueças de lhe arranjar um emprego. 

Eu sei que Natal quer dizer nascimento e, olha, nós também 

nascemos e, com certeza, não foi para que morrêssemos já, 

sem dar testemunho sobre a terra. Se assim fosse, como é 

que poderíamos dar os parabéns pelo teu aniversário?! Já 

agora podes ficar a saber que eu nasci no mesmo dia: nasci 

no Natal»

Pouco antes de as férias começarem, a professora chamou 

o Francisco e disse-lhe que tinha arranjado trabalho para o 

seu pai e, que já poderia começar a trabalhar no princípio 

de Janeiro do próximo ano. Foi tal a alegria dele que 

chorou copiosamente e, então, passou a andar tão 

contente, que os pais não sabiam que dizer. No entanto ele 

não disse porque é que andava assim.

Na véspera de Natal todos se deitaram cedo, pois a 

consoada consistiria em sopa e pão, por o dono da 

mercearia, atendendo ao dia que era, ter condescendido 

em acrescentar ao rol do livro da dívidas.

O Francisco não adormeceu logo. Depois de ter verificado 

que toda a gente estava a dormir, foi colocar o seu 

sapatinho à porta do quarto dos pais, com um bilhete dentro.

No dia de Natal, a mãe, que era sempre a primeira a 

levantar-se, ao sair do quarto tropeçou no sapato do filho. 

Baixou-se, pegou nele, e leu o bilhete: "Pai, a partir de 

Janeiro vai ter trabalho. Foi a minha professora que lho 

arranjou, por causa da minha redação ao Menino Jesus. É 

a nossa prenda de Natal".

Com as lágrimas nos olhos, de contentamento já se vê, 

aquele casal entrou, pé ante pé, no quarto do filho. Ao vê-

lo profundamente adormecido e a sorrir, ambos disseram: 

eis aqui o nosso Menino Jesus!



Fonte AQUI

10.12.17

O NATAL EM QUE PERDI A INOCÊNCIA

RE-EDIÇÃO
Presépio da S. C. da Misericórdia do Barreiro.  Foto minha.




Quando eu era menina (e já lá vão tantos anos) o Natal era uma festa.
Meus pais, e meus avós maternos, diziam que na noite de Natal, o Menino Jesus, vinha recompensar os meninos bons e trazer presentes. 
Nós vivíamos num barracão de madeira que em tempos fora habitado por quatro casais e respetivos filhos, mas no qual ficaram apenas os meus pais, quando os outros casais se foram. O barracão tinha um salão com onze metros de comprimento, ao fundo do qual havia um fogão, constituído por duas fileiras de tijolos, com uma grelha em cima, e um forno de tijolo onde minha mãe cozia o pão.
 Pelo Natal quase todos os anos, vinham meus avós maternos, que viviam em Santa Cruz da Trapa, uma aldeia beirã, e se juntavam lá em casa, com alguns dos filhos, – meus tios.
Por essa altura já o meu tio, Zé Varandas, e a minha mãe  tinham três filhos cada. 
Era uma ceia de muita gente, de muita alegria, embora as iguarias fossem poucas. Meus avós sempre traziam um pouco de queijo, coisa que não víamos no resto do ano,  minha mãe fazia rabanadas, e minha tia Celeste as filhoses. As couves e as batatas, eram do quintal que meu pai cultivava à roda da casa, e o bacalhau era comprado na Seca que naquela altura sempre vendia aos trabalhadores, por um preço especial. Alguns anos, a tia Carolina fazia uma travessa de aletria, que tinha de ser muito bem dividida, para que todos pudessem provar. 
 Não havia rádio, nem televisão, nem sequer luz eléctrica. Mas havia em casa três candeeiros a petróleo, que na noite de Natal ficavam acesos até depois da meia-noite. 
Muito antes do Natal, meu pai colhia no pinhal perto da nossa casa, muitas pinhas, que secava abria e debulhava. Partia alguns pinhões para comermos e os outros eram para jogarmos, nessa noite em que toda a gente ia para a cama muito tarde. Ele mesmo fazia uma piorra com o Rapa, Tira, Põe e Deixa. Ou então jogávamos ao "Pinhas alhas" que era assim. Cada um tinha 50 pinhões para começar o jogo. Pegávamos uns quantos na mão fechada, e dizíamos para os parceiros  "Pinhas alhas" e o outro respondia "abre a mão e dá-lhas". "Sobre quantas?" E saía um número. Se fosse a quantidade que tínhamos na mão, tínhamos que dar os nossos pinhões. Mas se errassem, então tinham  que nos dar tantos pinhões quantos nós tinhamos nas mãos. E era o nosso entretém.
Pelas onze horas, tios e primos regressavam às suas casas, e meu pai dizia que tínhamos de ir para a cama. Antes porém, íamos pôr os tamancos de madeira, que ele mesmo fazia, e que eram o nosso calçado, junto ao fogão, para o Menino Jesus deixar os presentes.
Sapatos só tínhamos um par, e era para a ida à missa, ou ao médico. E nós lá deixávamos os tamanquitos e íamos para a cama na esperança, de que nesse ano, o Menino Jesus, deixasse uns brinquedos, iguais ou parecidos, aos dos filhos do capitão, que geria a Seca do Bacalhau, onde os meus pais trabalhavam e nós vivíamos.
Não sei se foi assim convosco, mas eu nunca ouvi falar no Pai Natal, senão no final dos anos sessenta, em Lourenço Marques, atual Maputo. Talvez pela proximidade com a África do Sul, lá se cultivava muito o mito do Pai Natal. Por cá, na minha infância era o Menino Jesus, que em vez de receber prendas no seu aniversário,vinha distribuí-las pelos meninos, que se portaram bem durante o ano. Porém todos os anos no dia de Natal, era sempre uma desilusão, pois em vez dos brinquedos esperados, ou até de uma peça de roupa, mais bonita, só havia meia dúzia de rebuçados e dois ou três figos secos.
Lembro-me que um ano, talvez por volta dos meus seis anos, uma vez, que ainda não andava na escola, e naquela época entravamos aos sete, decidi esperar acordada a chegada do Menino Jesus, para lhe perguntar porque é que deixava lindos brinquedos aos filhos do capitão, que eram meninos ricos, a quem não faltava nada e a nós que éramos tão pobres, que não tínhamos sequer um boneco, só deixava rebuçados. Consegui manter-me acordada durante um bom bocado e a certa altura ouvi barulho e saltei da cama, para me confrontar com o Menino Jesus. 
Quando somos crianças, temos tanto de inocència como de atrevimento, de modo que saí decidida do quarto, e  apanhei a minha mãe a pôr os rebuçados nos tamancos. Fiquei muito revoltada, pensei que o Menino Jesus não queria saber de nós, porque éramos pobres e não tínhamos uma casa de pedra. Chorei tanto, que a  minha avó que para me acalmar, me explicou que o Menino Jesus, não vinha dar prendas a ninguém, que era uma tradição dizerem isso, porque fazia anos que Ele nascera, mas que na verdade, as prendas, eram dadas pelos pais e os meus não tinham dinheiro que desse para outra coisa que não os rebuçados. Foi um choque e um alívio ao mesmo tempo.

Elvira Carvalho


O NATAL EM QUE FIQUEI RICA






Ser pobre e satisfeito é ser rico. E bastante rico.William Shakespeare
Havia uma árvore naquele Natal. Não tão grande e frondosa como outras, mas estava pejada de enfeites e tesouros e resplandecia de luzes. Havia presentes, também. Alegremente embrulhados em papel vermelho ou verde, com etiquetas coloridas e fitas. Mas não tantos presentes como de costume. Eu já tinha reparado que a minha pilha de presentes era muito pequena.
Nós não éramos pobres. Mas os tempos eram difíceis, os empregos escassos, o dinheiro à justa. A minha mãe e eu partilhávamos uma casa com a minha avó e com os meus tios. Naquele ano da Depressão, toda a gente espaçava refeições, levava sanduíches para o trabalho e ia a pé para poupar nos bilhetes de autocarro. Anos antes da Segunda Guerra Mundial, já vivíamos no dia-a-dia, como muitas outras famílias, o que então se iria ouvir como slogan“Usa-o, aproveita-o ao máximo; faz com que funcione, ou passa sem ele.”
Havia poucas escolhas. Compreendia pois porque era tão pequeno o meu monte de presentes. Compreendia, mas sentia, ainda assim, uma ponta de pesar à mistura com um complexo de culpa. Sabia que não poderia haver surpresas empolgantes naquelas poucas caixas vistosamente embrulhadas. E sabia que uma delas tinha um livro. A minha mãe arranjava sempre um livro para mim. Mas nada de vestidos novos, camisolas ou um roupão acolchoado e quentinho. Nenhum dos miminhos tão desejados na altura do Natal…
Havia uma caixa com o meu nome da parte da minha avó. Guardei-a para o fim. Talvez fosse uma camisola nova, talvez um vestido — um vestido azul. A minha avó e eu gostávamos ambas de lindos vestidos e de todas as tonalidades de azul. Soltando os devidos “Ohs” e “Ahs” ao ver a aromática barra de sabonete feito de mel, as luvas vermelhas, o já esperado livro (um novo da Nancy Drew!), rapidamente cheguei àquele último embrulho. Dei por mim a sentir uma centelha do entusiasmo do Natal… Era uma caixa bastante grande. Com vergonha de mim mesma por ser tão gananciosa, por esperar receber um vestido ou uma camisola (mas esperando na mesma!), abri a caixa.
Meias! Só meias! Soquetes, meias altas, até mesmo um par daquelas meias horrorosas de algodão branco que estavam sempre a escorregar e se enrodilhavam em volta dos joelhos.
Esperando que ninguém tivesse dado conta do desapontamento, peguei num dos quatro pares e agradeci à minha avó, com um grande sorriso. Ela também sorria. Não com o seu sorriso educado e distraído de “Sim, querida,” mas com o seu sorriso feliz e radiante, de “Isto são coisas importantes para uma mulher!” Será que me esquecera de alguma coisa? Olhei de novo para a caixa no chão — nada, a não ser as meias. Só que agora eu conseguia ver que havia outro par por debaixo do que eu tinha pegado. Duas camadas de meias. E mais uma! Três camadas de meias!
A sorrir de verdade, comecei a retirá-las da caixa. Meias cor-de-rosa, meias brancas, meias verdes, meias de todos os tons inimagináveis de azul. Toda a gente estava a olhar, rindo comigo, enquanto eu atirava as meias ao ar e as contava. Doze pares de meias!
Levantei-me e dei um abraço tão apertado à minha avó que até nos doeu às duas. “Feliz Natal, menina Joan!” disse ela. “Agora, todos os dias, terás muitas escolhas a fazer. Estás rica, minha querida! ” E era verdade. Naquele Natal e durante todo o ano, todas as manhãs, eu escolhia do meu elegante armário da roupa interior qual o par de meias a usar. E sentia-me rica. E ainda sinto!
Mais tarde, a minha mãe disse-me que a minha avó tinha andado a esconder aquelas meias durante quase um ano — poupando todas as moedinhas, comprando um par de cada vez. Um dia, tendo visto um lindo par de meias azuis com as beiras elásticas bordadas à mão, ela pedira mesmo ao compreensivo vendedor para deixar um sinal a reservá-las durante três semanas.
Dentro daquela caixa estava embrulhado um ano de amor.
Foi um Natal que eu nunca esquecerei.
A prenda da minha avó mostrou-me como as pequenas coisas podem ser importantes.
E como o amor nos faz a todos imensamente ricos.
Joan Cinelli
Jack Canfield & Mark Victor Hansen
Chicken Soup for the Soul – Christmas Cheer
Chicken Soup for the Soul Publishing, LLC, 2008
(Tradução e adaptação)

9.12.17

O SONHO DO PAI NATAL


O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E não queria acordar porque neste ano os Humanos encheram-se de boa vontade e fizeram um acordo de Paz, que silenciou todas as armas. Em todos os cantos do planeta, mesmo nos lugares mais recônditos da Terra, as armas calaram-se para sempre e os carros de combate e outras máquinas de guerra foram entregues às crianças para neles pintarem flores brancas de paz.
O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E não queria acordar porque nesse sonho não havia fome: em todas as casas havia comida, havia até algumas guloseimas para dar aos mais pequenos. Mesmo as crianças de países outrora pobres tinham agora os olhos brilhantes, brilhantes de felicidade. Todas as crianças tinham acabado de tomar um esplêndido pequeno-almoço e preparavam-se para ir para a escola, onde todos aprendiam a difícil tarefa de crescer e ser Homem ou Mulher.
O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E no seu sonho não havia barracas, com água a escorrer pelas paredes e ratos pelo chão,  nem gente sem tecto, a dormir ao relento. No sonho do Pai Natal, todos tinham uma casa, um aconchego, para se protegerem do frio e da noite.
O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E no seu sonho não havia instituições para acolher crianças maltratadas e abandonadas pelos pais nem pequeninos e pequeninas à espera de um carinho, de um beijo... de AMOR. Todas as crianças tinham uma família: uma mãe ou um pai ou ambos os pais, todas as crianças tinham um colo à sua espera.
O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E no seu sonho não havia palavrões e outras palavras feias, não havia empurrões, má educação e desentendimentos. Toda a gente se cumprimentava com um sorriso nos lábios. Nas estradas, os automobilistas não circulavam com excesso de velocidade, cumpriam as regras de trânsito e não barafustavam uns com os outros.
O Pai Natal sonhou um sonho lindo, tão lindo que não queria acordar. E no seu sonho não havia animais abandonados pelos seus donos, deixados ao frio, à fome e à chuva,  nem animais espetados e mortos nas arenas, com pessoas a aplaudir.
Mas, afinal, quando despertou verdadeiramente, o Pai Natal viu que tudo não tinha passado de um sonho; que pouco do que sonhara acontecia de verdade. Ficou triste, muito triste, e pensou:
« - Afinal, ainda é preciso que, pelo menos uma vez por ano, se celebre o Natal!».
E, nessa noite, o Pai Natal começou os preparativos para dar,  mais uma vez, um pouco de alegria a todas as crianças do Mundo.


J. Letria

8.12.17

DIA 8 DE DEZEMBRO, DIA DA IMACULADA CONCEIÇÃO






O  culto da Virgem, Santa Maria, está ligado à nossa história desde os seus primórdios. D. Afonso Henriques era grande devoto de Nossa Senhora, como provam as várias concessões que fez a Santa Maria Bracarense, como tributo pela ajuda concedida na manutenção do seu território. Engrandeceu a Catedral de Braga, elevando-a à categoria de templo nacional, e Santa Maria de Braga a Padroeira do território portucalense. Todos os reis da primeira dinastia lhe prestaram culto agradecendo a manutênção da independência do reino.
Já na segunda dinastia, D. Nuno Álvares Pereira,  Condestável do Reino e grande devoto da Virgem Santa Maria, que respondeu às suas preces nas batalhas de Valverde, Atoleiros e Aljubarrota, Mandou construir  a Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Vila Viçosa, encomendando em Inglaterra a imagem de Nossa Senhora da Conceição. E tal era a sua devoção, que quando ingressa bno Convento do Carmo como irmão leigo, adota o nome de Nuno de Santa Maria. 
Após a Restauração de 1640, D. João IV, dá um novo e grande impulso à devoção de Nª Sª da Conceição, que se estende por todo o país. No dia 8 de Dezembro de 1640, Frei João de S. Bernardino, ao pregar na capela Real de Lisboa, na presença do Rei de Portugal, o primeiro da Casa de Bragança, termina o sermão da seguinte forma.

"Seja assi, Senhora, seja assi; e eu vos prometo, em nome deste Reyno, que elle agradecido levante um tropheo a Vossa Immaculada Conceição, que vencendo os séculos, seja eterno monumento da Restauração de Portugal"

Seis anos mais tarde, o rei D. João IV organizou uma cerimónia solene, em Vila Viçosa, para agradecer a Nossa Senhora, a Restauração da Independência em relação a Espanha. Colocou aos pés de Nossa Senhora da Conceição, a coroa portuguesa, proclamando-a  Padroeira de Portugal.
Desde esse momento, Nossa Senhora tornou-se a Soberana de Portugal, e por isso desde esse dia, nunca mais nenhum rei português usou a coroa real na cabeça, direito que só pertencia a Nossa Senhora.
Por isso quando em cerimónias solenes o rei devia usar a coroa, ela era colocada em cima de uma almofada de veludo a seu lado.
Um facto único no mundo.
Duzentos e oito anos mais tarde, no dia 8 de Dezembro de 1854, O Papa Pio IX, proclama a Bula " INEFFABILIS DEUS" que traz o dogma da Imaculada Conceição.
"É de Deus revelada a Doutrina que sustenta que a Virgem Bem-Aventurada Maria, no primeiro instante da sua conceição (nascimento) por singular Graça e privilégio do Deus Onipotente, em vistas dos méritos de Jesus Cristo. o Salvador do género humano, foi preservada imune de toda a mancha do pecado  original e dessa maneira ser crida por todos os fiéis"
 Já no século XX, quando se começou a festejar o dia da mãe, entendeu o governo da época designar o dia de Nossa Senhora da Conceição como o dia das mães, talvez associando o facto de Nossa Senhora como mãe de Jesus. O facto distorceu o sentido de Nossa Senhora Rainha e Soberana do país em relação aos portugueses e também em relacão ao dogma da Imaculada Conceição. O comércio transformou o 8 de Dezembro no dia das mães.  Já no final do século, para devolver a dignidade ao dia da Nossa Senhora da Cinceição, e para aproximar a data da maioria dos outros países que a festejam, o dia da mãe, passou para o primeiro domingo de Maio




Fonte  A

Fonte B

7.12.17

A LENDA DA ROSA DE NATAL




Na noite em que o Menino Jesus nasceu, uma 

pequena pastora, que no monte guardava o seu rebanho, 

viu passar alguns pastores e três Reis Magos, que se 

dirigiam para o estábulo onde Jesus estava, em palhas 

deitado, junto de Maria e José. Os pastores levavam 

presentes e, os três reis magos, levavam ricas ofertas de 

ouro, incenso e mirra!

A pequena pastora ficou triste, pois não tinha nada para 

oferecer ao menino Jesus, e começou a chorar. Um 

anjo, que por ali passava, ao ver tamanha tristeza, passou 

junto da menina e, quando as suas lágrimas caíram na 

terra gelada, transformou-as em lindas rosas brancas, que a 

menina com o coração carregado de felicidade, 

rapidamente apanhou e levou como oferta ao Menino Jesus.








Selma Lagerlöf