14.7.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE I




O primeiro domingo de Dezembro, nascera frio e seco. Na aldeia, a doutora Helena Correia, preparava as suas malas para o regresso à cidade com o filho. Tinha regressado de um congresso em Inglaterra na sexta-feira, e depois de ter tomado um duche, trocou de roupa, nem desfez a mala, mas colocou algumas peças de roupa num pequeno saco de viagem, pegou no carro e seguiu para a aldeia, a fim de ir buscar o filho que tinha deixado com os avós, antes de partir de viagem. Não parou pelo caminho, nem sequer para comer, cheia de saudades do pequeno Diogo, um garoto de cinco anos, que ela amava mais do que tudo na vida.
Helena, era filha única, de um casal de agricultores, não muito abastados, mas com o poder económico suficiente para dar à sua filha a realização do seu sonho de sempre. Ser médica-cirurgiã. Nunca cultivou grandes amizades, era uma aluna exemplar, apenas interessada em acabar os estudos, com o mínimo de gastos possíveis para os seus pais. Todo o tempo que os estudos, lhe deixavam livre, ela empregava-os no hospital, vendo doentes, assistindo a cirurgias, ou mesmo dando assistência a cirurgiões sempre que eles lho permitiam. Sabia que não era fácil, ela bem via, o estado de exaustão a que por vezes alguns cirurgiões chegavam, mas a sua força de vontade era de ferro, e a sua coragem não tinha limites. Terminado o curso, teve oportunidade de ir trabalhar para um hospital londrino e aí completou a sua especialização na área que sempre a apaixonara. Regressou a Portugal, com vinte e seis anos, virgem de todas as emoções amorosas, pelas quais nunca se interessara. Por essa altura, a mãe fora diagnosticada com um cancro na mama, e Helena resolveu ficar algum tempo sem começar a exercer, para ajudar a mãe naqueles tempos difíceis. Foi nesse interregno que se apaixonou, pelo psicólogo, a que levou a mãe, que se sentia arrasada e sem força de vontade de viver, depois da mastectomia.
Para Helena, que nunca se tinha apaixonado,
nada sabia dos prazeres do sexo, a relação era séria. Para Hugo, um trintão, habituado a saltar de cama em cama, não passou de uma aventura. Descobri-lo foi um trauma para ela, mas habituada a lidar com o sofrimento, não se deixou abater, e nem sequer se preocupou em procurá-lo quando descobriu que estava grávida.
O erro fora seu, a responsabilidade pelas consequências eram suas, foi o que disse aos pais, quando eles a aconselharam a procurar Hugo, e a contar-lhe que estava à espera de um filho. Conhecedores do temperamento da filha, limitaram-se a apoiá-la.
Por essa altura, Helena concorreu a um lugar num posto médico estatal. Ser médica de família, era por de lado o seu sonho de chegar a ser uma grande cirurgiã, mas ela sabia bem que ele não era compatível com a sua situação actual.


16 comentários:

Janita disse...

Sejam as mulheres simples aldeãs ou médicas cultas e estudadas, quando chega a hora da paixão e da ilusão amorosa o tema é sempre o mesmo:
acabam por ser vítimas de homens experientes, vividos e sem escrúpulos.
Um abraço Elvira.

(Acho que a minha amiga tem o cérebro formatado para construir enredos românticos como se fossem receitas de culinária.
Não imagina como admiro essa sua capacidade inventiva.)

✿ chica disse...

A julgar pelo início, será fabuloso! Adorei, bem movimentado...bjs, praianos,chica

redonda disse...

Gostei de como começa e estou a gostar da Helena, mas parece-me que ela deveria ter contado ao Hugo que estava à espera de um filho dele, quer para ele poder ser pai, quer para o filho poder ter um pai...
Será que o Hugo entretanto se tornou uma pessoa diferente?
Será que vai aparecer um outro na vida dela?


um beijinho e boa noite

Tintinaine disse...

Isto é como um carro de corrida, vai do 0 aos 100 em seis segundos. A história ainda agora começou e a teia já está estendida para apanhar os leitores.
Táctica mais acertada que a do Jesus que se arma no melhor treinador de Portugal e arredores e levou três no corpo sem resposta.

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
qualquer conto com crianças traz sempre muito interesse .
ainda é muito cedo para fazer grandes comentários mas vamos ter com certeza uma grande novela .
JAFR

Isa Sá disse...

A passar para acompanhar as hitorias.

Jaime Portela disse...

O primeiro capítulo promete mais uma história interessante.
Um bom fim de semana, amiga Elvira.
Beijo.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Ora lá vamos partir mas mais uma história e pelo principio promete.
Um abraço e bom fim-de-semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Louraini Christmann - Lola disse...

Poderosa esta Helena.
Tenho uma neta com este nome e a mãe dela é muito parecida com a esta tua Helena. Gostei muito. Bom teu estilo.

abraço
Lola

António Querido disse...

"Quem anda à chuva molha-se", e uma médica melhor que ninguém tem obrigação de conhecer todos os modelos de guarda-chuvas para se proteger, a coisa promete.

Com o meu abraço

Edumanes disse...

Sé já percebi trata-se duma médica. Mãe solteira que ama o seu filho, nascido duma paixão momentânea?
Tenha um bom dia amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e Outras disse...

Belíssima história e não creio ser real. É ficção? Parabéns! Bom fim de semana. Abraço. Laerte.

Anete disse...

Olá, Elvira, lendo o 1o capítulo e sentindo já grandes emoções no enredo...
Acompanhando os passos seguintes...

Respondi no Vida & Plenitude o que falou a respeito de sonhos... Obrigada!
Bjs e bom fim de semana...

Odete Ferreira disse...

Costuma dizer-se, pela aragem se vê quem vai na carruagem. Pela amostra, sei que vem aí mais uma excelente história.
Uma nota que já queria ter deixado antes: é fantástica a forma como trata a alma feminina...
Bjinho

Andre Mansim disse...

Começou muito bem minha amiga!
Vamos ver no que vai dar.

Um abraço!

Smareis disse...

Boa noite Elvira. Cheguei pra começar acompanhar sua história.
Dizem que todas Helena são guerreira.
Amiga tem postagem nova. Vc passou por lá mais comentou na postagem passada.
Beijos e boa semana!
http://caminhostropecosevitoria.blogspot.com.br/2017/07/o-dia-que-me-tornei-invisivel_19.html