16.7.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE III






Depois de hora e meia retida na estrada, Helena estava de novo a caminho da capital. Já era tarde e ficara  indecisa, se devia  ou não entrar na autoestrada, pois a viagem seria mais rápida. Porém chegaria sempre tarde, e como era  hora do jantar, decidiu continuar pela estrada nacional, e parar onde encontrasse um restaurante, junto à estrada, a fim de jantarem, coisa que viria a fazer, dois quilómetros mais à frente.
Depois do jantar, voltou à estrada, não sem antes verificar se o filho sentado atrás na sua cadeira tinha o cinto devidamente colocado.
Apesar de se estar nos primeiros dias de Dezembro, a noite estava estrelada, e fria. Estranhando o silêncio do menino , lançou-lhe um rápido olhar e verificou que tinha adormecido. Baixou um pouco o som do rádio e concentrou-se na condução. Não gostava de o fazer de noite, mas os dias naquela altura eram tão pequenos. Felizmente já não faltavam muito para chegar a casa. Devia estar a uns dez, doze quilómetros de Lisboa, encontrava-se numa longa reta, e há quase vinte minutos que não passava um carro por ela.
De súbito, avistou qualquer coisa na berma da estrada, lá mais  à frente, e pensando nalgum animal que de repente poderia atravessar a estrada, reduziu a velocidade. Porém à medida que se aproximava  verificou  que se tratava de um corpo humano. Mau, um corpo humano deitado na berma da estrada, naquele local solitário, sem nenhum carro ou velocípede  à vista, podia ser uma armadilha. Como médica estava habituada a tomar decisões em fracções de segundos. A estrada estava aparentemente deserta, mas as três árvores e o  tufo de vegetação imediatamente antes do corpo,  podiam esconder alguns meliantes. 
Embora a sua razão lhe gritasse que seria perigoso parar, e lhe aconselhasse prudência, o seu instinto também lhe dizia que podia ser alguém gravemente ferido, e ela era acima de tudo, médica.  Lançou um olhar inquieto ao filho que continuava adormecido e travou um pouco antes de chegar junto ao vulto. Vestiu o colete reflector, e saiu do carro. A medo perscrutou os arredores. Não se via nada, estava tudo silencioso. Receosa abriu a porta traseira e pegou no filho adormecido ao colo, pensando, que podia ser um assalto para lhe roubarem o carro, e não podia correr o risco de o levarem com o filho lá dentro. Devagar aproximou-se do vulto caído na berma da estrada. Parou por momentos e escutou. Não se via nada nem ninguém e o vulto não se mexeu. Convencida de que não se tratava de nenhum estratagema de assalto, pousou a criança no chão e debruçou-se sobre o vulto que jazia de bruços na berma da estrada.


16 comentários:

Duarte disse...

Uma narrativa que enamora, pela qualidade dos argumentos que fazem com que esta leitura enganche, aqui e lá fora, senão que me perguntem.
Esse tipo de ousadia, mesmo com tão boa intenção, pode ter honestas consequências, ainda que vindo de ti não creio.
Beijinhos, querida amiga.

Odete Ferreira disse...

Em suspenso, a ver o que se seguirá...
Bjinho

redonda disse...

Agora ficou ainda mais interessante e não tenho o capítulo seguinte para ler ainda :(
Quem será o vulto?

um beijinho e boa noite
e um bom Domingo

Tintinaine disse...

Que episódio tão curtinho!
Comi mas fiquei com mais fome do que estava antes de comer.

Isa Sá disse...

A passar para acompanhar as histórias e desejar um bom domingo!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Roaquim Rosa disse...

Bom domingo
isto esta a ficar mesmo interessante !!!
JAFR

✿ chica disse...

UAU! Que empolgante! Estou adorando,Elvira! bjs praianos,chica

Anete disse...

Corajosamente agiu... (!?)
Um passo assim como o dela é ariscadíssimo... Veremos o que a Elvira nos reservará... Rsss, suspense e empolgação na espera...

Bom domingo. Bjs

Edumanes disse...

Quanto mais curtinhos são,
mais despertam a curiosidade
como médica é a sua obrigação
prestar socorro à sociedade!

Tenha um bom dia de domingo amiga Elvira, um abraço.
Eduardo.

Prof. Ms. João Paulo de Oliveira disse...

Prezada confrade Elvira Carvalho, boa tarde.
Graças a escolinha do Professor Rui da Bica soube da existência do teu imperdível blog e, de pronto, tornei-me seguidor, porque fiquei encantado com tua maravilhosa verve.
Tu és uma escritora supimpa!
Estou cá sôfrego para saber de quem é o vulto...
Caloroso abraço. Saudações contistas.
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Um ser vivente em busca do conhecimento e do bem viver, sem véus, com muita imaginação, autenticidade e gozo.

Cantinho da Gaiata disse...

Mais uma história que começo a ficar apaixonada.
Bj

Gaja Maria disse...

Ui! Coisa boa não vai acontecer...

Silenciosamente ouvindo... disse...


Seguindo a sua narrativa da memória,
com a atenção devida.
Boa semana amiga.
Irene Alves

Manu disse...

Fiquei em suspense, vou ler o episódio seguinte.

Smareis disse...

Mulher corajosa!
Beijos!

Rosemildo Sales Furtado disse...

Mais um motivo para ela conseguir tudo que quer, além de decidida, tem um bom coração. Só resta esperar os acontecimentos. Estou gostando.

Abraços,

Furtado